sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A Morte de um Velho Amigo

















Eu o conhecia há muito tempo. Ele era amigo da minha família e frequentava minha casa.
Brincávamos quando éramos crianças. Ele sabia um segredo meu. Eu era estéril e tinha problemas disfuncionais e ele sabia. Ele disse que nunca iria contar nada sobre isso a ninguém.

Mas um dia de brincadeiras com bebidas alcoólicas entre amigos, ele acabou contando para muitas pessoas, pessoas que conheciam meu pai, minha mãe e irmão.
Fiquei sabendo por eles, já que não tinha amigos e ficava a maior parte dentro de casa, desenhando ou matando os pintinhos escondidos de meu pai.

Um dia, ele veio até em casa falar com meu irmão. A campainha tocou e eu da janela do meu quarto o observava. Ele veio somente para conseguir favor, não falava mais comigo. Eu nada tinha feito à ele. Mas o que fiquei sabendo, é que ele tinha vergonha de ser visto comigo.
Ele até me viu na janela, mas fez com que não viu. Havia dois garotos com ele, ambos me viram na janela, e ao apontarem para mim, começaram a rir de mim, chamando-me de "sem pintinho", "menininha", e outros nomes que me enfureciam. Nós estávamos com doze anos na época.

Hoje, ao se passar alguns anos, já sou um adulto e meu amigo ainda mora na vizinhança. Chegou a hora da minha vingança.

Após algumas mortes de mulheres na região, feitas por mim, ele será o primeiro homem que morrerá pelas minhas mãos.

Planejei todas as etapas da minha vingança cuidadosamente.
O fiz dormir com uma marretada na nuca, em uma noite de volta pra casa. O sequestrei, o amarrei em meu porão, vendado, amordaçado, o deixei apodrecer.
Ele não sabia onde estava e muito menos quem havia feito isso.
Ele pedia pelo amor de Deus que o soltassem, que ele faria qualquer coisa, ele suplicava e chorava sem parar.
Eu o observava. Eu gostava de observar.
Eu gostava de vê-lo amarrado, vendado, suplicando e aos poucos definhando.

O cheiro de mijo e fezes, deixavam o lugar em estado de calamidade. Suas roupas estavam todas sujas devido aos dias amarrado e sem banho.
Ele tentava se levantar mas escorregava nas próprias fezes.

Diversas vezes no dia ele pedia algo para comer mas sempre dava de ombro.
Chegou um dia que isso me irritou profundamente.
Reclamava de muita dor e de fome.
Já estava quase uma semana sem comer.
-Você quer comer? - Perguntei.
-Sim. -Ele disse.
Então, fiz exatamente o que ele pediu.
Cheguei próximo à ele, arranquei suas calças, ele começou a relutar e dizia: "Quem está aí"?. "Quem está aí"?
-Sou eu, Chuck! - Ele começou a gritar ainda mais. - Lembra de mim amigo? Irei lhe dar de comer.

Com uma faca que encontrei embaixo do torno mecânico de meu pai, cortei nele, aquilo que em mim era inábil, o cortei como se fosse linguiça, e logo cauterizei com um instrumento para marcar gado.
Ele gritava sem parar. Cambaleou e desmaiou em cima das fezes.

A faca já estava oxidada há um bom tempo, então foi fácil ser um corte preciso.
Peguei do chão aquilo que ele se vangloriava tanto e me dirigi até a cozinha. Lá, cortei em rodelas, assei e coloquei em um prato com palmitos em conserva. No forno, fui ver se as pelotas murchas já estavam prontas. O cheiro de manteiga e de queimado eram fortes. Decorei o prato com as rodelas e as duas pelotas murchas.

Quando acordou, suas calças estavam no lugar, mas não havia mais nada ali. E ainda por cima eu fiz piada. "Você tá com uma bucetinha linda agora heim, seu frouxo?".
Eu havia costurado e dei analgésicos também, mas não limpei.
Ele se contorcia no chão, as mãos estavam amarradas na parte de trás do corpo.
Eu ria sem parar.

Então, peguei o prato com seu pênis fatiado e alguns palmitos para decorar e o obriguei a comer.
-"Coma! você não quer comer? Coma seu desgraçado". - Dizia, ao empurrar as rodelas de seu pênis com palmito garganta à dentro junto com as pelotas murcha.

Ele relutou em aceitar. Mas depois de algumas coronhadas na testa com um martelo ele aquietou.
Na verdade, ele teve de aceitar, já estava uma semana sem comer.

Servi o filho da puta traidor como pediu.
Ele mastigava, mas logo gorfava, e ao tossir muito, perguntava, "O que é isso?", "O que é isso?".
-É aquilo que você não vai mais precisar. - Respondia.
Ele gritava sem parar.
-Por favor, pare com isso, me liberte, por favor! -Ele gritava.
-Ahhh, tá bom, tá bom, chega de gritar, porra! Que cara chato. Vou te amordaçar. - Disse impaciente ao amarrá-lo.
Assim, o deixei lá, com seu aperitivo ainda no prato. O deixei como estava. Subi as escadas e tranquei a porta.
Há anos não limpava meu porão. Ele ficou um bom tempo desmaiado lá.
Ali, onde estava, havia muita poeira, serragem devido ao trabalho de carpintaria, cacos de vidros, teias de aranha, ninhos de baratas e muitos ratos que passavam, mijavam e cagavam por ali.
Nem precisei matá-lo. Morreu tempo depois com a cabeça em cima do prato com as fatias de seu pau e as pelotas murcha com manteiga.
Isso, é o que acontece àqueles que riam de mim e não guardam segredos.
O bonitão gozador não durou até a noite.
Minha vingança foi feita.

Sem data,
Chuck Gein

Minha Vez de Falar
















Chegada a minha vez de subir ao palanque e falar um pouco sobre você, baby, confesso que fiquei um pouco nervoso.
Você me completava, era minha alma gêmea, eu a amava, e só poderia dizer tudo isso para todos os presentes vestidos de preto em seu velório. Tudo o que sabia e tinha vivido com você.
O caixão à minha frente e a chuva fina dava um toque de sentimento em tudo o que era falado naquele microfone. Muitas pessoas lamentavam profundamente.
Até nossas brigas eram saudáveis. Eu as lembrava sorrindo. Relembrei também, situações divertidas em que só nós dois podíamos compartilhar com todas aquelas pessoas presentes. Todas aquelas pessoas com seus olhos caídos e vermelhos.
Enquanto falo, ao discurso, as vezes, abaixo a cabeça e mordo os lábios, e ao soluçar digo em voz alta seu nome e a palavra PORQUÊÊÊ?! Todos se comovem ainda mais.
Não sei se as autoridades descobrirão quem lhe assassinou, baby. Aquele que fez isso com você.
Não irei me preocupar, pois planejei tudo isso de uma forma bem sistemática e detalhada, e nunca me pegarão.
Mas você sabe né baby... você mesmo dizia: "Chuck, você é um ótimo ator!!".
Eu era um bom ator...e eu não parava de rir por dentro....


Uma Carta de Amor






















Querida Margareth,
Sei que fui um cara péssimo pra você. Sei que você me largou e sei como você me ridicularizou naquela festa com seus pais e amigos presentes. Tudo bem. Eu te compreendo.
Esta carta não é para me desculpar, querer me reatar ou me prostrar à você, e sim, para avisá-la, que há meses sigo seus passos e conheço sua rotina.
Irei cortá-la em pedacinhos, assim como fez com meu coração. Sempre diga "eu te amo" para seus entes, pois você nunca saberá quando será o último, não é mesmo?
Eu no entanto, sei!
Com amor e ódio daquele que te amará depois do fim.

Com amor,
Charles Gein
sem data

Meu Quebra Cabeça Favorito

"Como sinto sua falta baby
 Quero lhe cortar em pedacinhos
E juntar tudo outra vez".